Dante Alighieri (1265–1321), poeta italiano e um dos maiores nomes da história da literatura, legou-nos uma lição inestimável: “Os lugares mais sombrios do inferno são reservados para aqueles que mantêm sua neutralidade em tempos de crise moral.”
Por que? Os grandes desastres morais da humanidade não surgiram da coragem dos maus, mas da omissão dos mornos. Foi assim na queda do Império Romano, foi assim nas revoluções que devoraram seus próprios filhos. O enredo se repete ao longo dos séculos: os indiferentes abrem a porta e os tiranos entram.
No Brasil não é diferente. O isentão recita mantras como “Lula e Bolsonaro são iguais” ou “candidato X não tem apoio da Faria Lima”, acreditando que isso o torna alguém sensato, enquanto entrega o próprio futuro aos que acordam diariamente determinados a destruir o pouco que ainda resta de ordem.
O isentão brasileiro tem longa linhagem. Já circulou com pompa pelo PSDB, mantendo viva a velha coreografia da estratégia das tesouras. Depois ganhou holofotes no MBL, que conseguiu a proeza de se unir a comunistas para atacar o único governo de direita que o país teve nas últimas décadas. E ainda encontrou abrigo em canais da “direita limpinha”, onde posa de moderado enquanto fortalece exatamente aqueles que mais lucram com o caos.
Ficar em cima do muro não é sinal de inteligência, pelo contrário, é o mais alto grau de imbecilidade moral. A decadência do nosso país avança sobretudo pela omissão daqueles que, podendo contê-la, escolheram lavar as mãos como Pilatos.




