Existem três pontos em comum em quem odeia Bolsonaro: a covardia travestida de moral, o gozo em ver um homem abatido e a ânsia em apagar um símbolo vivo. Trata-se de um processo profundo: o prazer das elites decadentes em transformar um adversário em espetáculo.
Diagnosticado com câncer de pele, condenado a 27 anos de prisão, tornado inelegível por decreto de conveniência: tudo isso se acumula como camadas de uma peça teatral. Um roteiro escrito não para julgar um homem, mas para exorcizar a ameaça que ele representa.
A facada de 2018 ainda reverbera como cicatrizes físicas e simbólicas. Não bastou a tentativa de assassinato. Agora, a cada exame médico, a cada manchete sobre sua saúde, a cada câmera plantada em sua porta, o sistema regozija em transformar sua vida numa penitência perpétua. Carros revistados, visitas monitoradas, até o fusquinha de Michelle vasculhado. Chefes de facção não recebem esse “cuidado”.
Nos anos 1930, Stalin transformou a União Soviética em um tribunal permanente. Os chamados Processos de Moscou não eram julgamentos de verdade, mas espetáculos públicos. Generais, intelectuais, líderes políticos: todos arrastados a confissões forjadas e condenações previamente escritas. A lógica não era punir indivíduos, mas criar um teatro pedagógico: mostrar ao povo que qualquer um, do mais humilde ao mais poderoso, poderia ser esmagado de um dia para o outro. Era a pedagogia do medo em sua forma mais brutal.
O ataque a Bolsonaro não é apenas físico ou político. Assim como nos Processos de Moscou, aqui a ofensiva é simbólica e espiritual. E é nesse plano que Bolsonaro e seu movimento se tornam mais fortes: cada provação é transformada em combustível para a história que será lembrada.




