O prazer barato da escravidão voluntária

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FUTEBOL, CERVEJA E, ANTES DE MAIS NADA, JOGOS DE AZAR, PREENCHIAM O HORIZONTE DE SUAS MENTES. NÃO ERA DIFÍCIL MANTE-LOS SOB CONTROLE.

– GEORGE ORWELL, 1984

Não é que o brasileiro conformista seja manipulado. É que ele gosta. Se pudesse, pediria para o carcereiro trazer mais cerveja.

Roma já conhecia a fórmula. Panem et circenses. Mas na França do século XVIII, a elite inventou algo ainda mais refinado: o panem quotidianum. Não bastava pão, tinha que ser o pão diário. Um ciclo de dependência perpétua e escravidão voluntária.

O truque funciona porque as pessoas acreditam ser protagonistas. Como Truman Burbank, no filme O Show de Truman, vivem sob um roteiro escrito por outros, sorrindo para a câmera sem saber que estão no espetáculo. O feed dá a ilusão de escolha. O tigrinho dá a ilusão de riqueza. O futebol dá a ilusão de identidade. E a cerveja, a ilusão de que tudo está bem.

Não está.

Orwell imaginou um Grande Irmão de cima para baixo. Aqui, a genialidade foi transformar cada brasileiro em seu próprio carcereiro, vigiando a si mesmo, rindo da própria desgraça e, de quebra, pagando a conta.


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